Recursos naturais

Poços extras da Petrobras na Foz do Amazonas vão até 2029

Cronograma enviado ao Ibama em 2 de outubro fixa para janeiro de 2029 o fim do último dos três poços extras; MPF recorre no TRF1.

Ilustração abstrata em faixas verdes, azuis e douradas, sem pessoas nem lugares reais
Imagem provisória: ilustração abstrata, não é foto da sonda da Petrobras.Ilustração: Imagem provisória

Em 2 de outubro, a Petrobras enviou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) um cronograma atualizado. Ele cobre três poços extras na Bacia da Foz do Amazonas. Pelo documento, o último deles só termina em janeiro de 2029. É o dado oficial mais recente sobre o projeto que encontramos.

A licença original, de 20 de outubro de 2025, autorizava um único poço, chamado Morpho. Ele fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Em setembro, o Ibama ampliou a autorização para três poços contingentes, que dependem dos resultados dos poços anteriores.

O calendário ficou mais longo

Pelo cronograma, o poço Manga será perfurado de março a outubro de 2027. O PAD Morpho começa em novembro de 2027 e termina em junho de 2028. O Crotalus vai de julho de 2028 a janeiro de 2029, segundo a Agência iNFRA e o ConectAmapa.

Em setembro, a Petrobras, empresa estatal de petróleo, falava em começar a perfuração em janeiro de 2027, com uma nova sonda. Antes disso, a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, havia dito que os três poços seriam perfurados em 2027, segundo o ConectAmapa.

Pelas nossas contas, a campanha começou com um poço previsto para cinco meses. Agora vai até janeiro de 2029, cerca de três anos e três meses depois da licença de outubro de 2025.

O Ibama tem outra versão. Ao Ministério Público Federal (MPF), o órgão afirmou que “está prevista a perfuração de três poços contingenciais” desde o início do licenciamento. O MPF lembra que declarações de 2022 e uma audiência judicial descreveram um único poço, de cinco a seis meses.

Morpho ainda não terminou

Em comunicado ao mercado, a Petrobras informou outro trecho com petróleo no poço Morpho. O poço fica em lâmina d’água de 2.886 metros, ou seja, de profundidade do mar. A empresa diz que vai concluir a perfuração e, depois, avaliar as formações encontradas. O comunicado não traz volume nem viabilidade comercial.

Segundo o ClickPetróleo, que cita o g1 Amapá, a sonda NS-42, um navio-sonda, deve deixar o Morpho até o fim de outubro. O destino é o poço Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar. A sonda NS-43 deve chegar ao Amapá no início de 2027. O Ibama já havia autorizado essa troca, segundo a ClimaInfo.

Dois recursos no TRF1

O MPF recorreu à Justiça contra a licença. Em 17 de setembro, pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a suspensão imediata da licença e que o caso fique na Justiça Federal do Pará. Em 28 de setembro, apresentou novo recurso contra a decisão da Justiça Federal do Amapá que rejeitou sua ação civil pública.

Nesse segundo recurso, o MPF pede uma liminar, decisão provisória, para suspender a Licença de Operação nº 1.684/2025 e parar qualquer perfuração ou teste. Se a ordem for descumprida, propõe multa diária de R$ 1 milhão. Segundo o comunicado do órgão, “os modelos matemáticos apresentados pela empresa para prever a trajetória de eventuais manchas de óleo são falhos”.

Reportagens dizem que o juiz também aplicou multa ao MPF por litigância de má-fé, ou seja, uso abusivo da Justiça. Os valores divergem entre as fontes, e o comunicado do MPF não menciona essa multa. Até a publicação, não encontramos decisão do TRF1 sobre a liminar.

O que diz a Petrobras: no comunicado de 2 de outubro, a empresa afirma que encontrou outro intervalo com petróleo no Morpho. Diz que vai concluir a perfuração e que as análises em laboratório seguem em andamento.

O que diz o Ibama: ao MPF, o órgão afirmou que a perfuração dos três poços contingenciais “está prevista” desde o início do licenciamento, e que o processo segue “de forma rigorosa, com plena observância dos aspectos técnicos e legais pertinentes”. Não localizamos manifestação do órgão sobre os recursos de setembro nem sobre o cronograma de outubro.

O que fica em aberto

A campanha passou de um poço para quatro, com prazo até janeiro de 2029. Três pontos seguem abertos. Falta a decisão do TRF1 sobre a liminar. Falta resposta pública do Ibama ao novo cronograma. E falta a análise das camadas com óleo, que a Petrobras diz estar em andamento.

Como fizemos: Reunimos comunicados do MPF (17/8, 18/9 e 29/9/2026), o comunicado da Petrobras de 2/10/2026 e reportagens da ClimaInfo, da Agência iNFRA, do ConectAmapa e do ClickPetróleo, acessados em 27/10/2026. O cronograma de 2027 a 2029 vem de reportagens sobre o documento enviado ao Ibama, que não localizamos na íntegra. A conta de três anos e três meses é nossa, de outubro de 2025 a janeiro de 2029. Não entrevistamos a Petrobras nem o Ibama.

Fontes