Óleo novo no Morpho; licença agora cobre quatro poços
Petrobras diz que o achado ainda não é comercial, e o MPF diz que a licença passou de um para quatro poços.

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (2) uma nova descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O poço fica no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas, com lâmina d’água (profundidade do mar até o fundo) de 2.886 metros. É o segundo achado no mesmo poço.
O achado chega em meio a uma disputa judicial sobre a licença de perfuração. O Ministério Público Federal (MPF) quer suspendê-la. Esta reportagem mostra como a licença mudou e o que falta para saber se o campo tem valor.
Em agosto, a Petrobras anunciou o primeiro achado no Morpho. Em 3 de setembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a perfuração de mais três poços no bloco, segundo a Reuters. O órgão também exigiu um cronograma atualizado em até 30 dias.
Quantos poços a licença permite
Petrobras e MPF divergem sobre o ponto de partida. Para a empresa, os três poços já constavam do projeto original; para o MPF, a autorização inicial previa só o Morpho, por cinco meses. Pelos relatos das duas partes, a licença agora cobre quatro poços. O MPF diz que a ampliação ocorreu sem novos estudos ambientais, com atividades até 2029.
Duas versões sobre a licença do Morpho Número de poços e prazo, segundo cada parte, em setembro e outubro de 2026
| Ponto | Petrobras | MPF |
|---|---|---|
| Poços no início | Morpho, com três já previstos no licenciamento | Só o Morpho, por cinco meses |
| Poços depois da mudança | Morpho mais três | Quatro poços |
| Prazo | Não citado nas fontes consultadas | Atividades até 2029 |
Fonte: Agência Petrobras; SBT News (com informações da Reuters); MPF. Elaboração: redação. A tabela mostra as duas versões sem escolher uma.
Um poço ainda não é um campo
Segundo a CNN Brasil, o intervalo com óleo foi encontrado na quinta-feira (1), em uma camada mais profunda do mesmo poço. A Petrobras diz que a descoberta foi identificada por perfis elétricos (medições feitas com sensores dentro do poço), indícios nas rochas e amostras de fluido.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, foi cautelosa: “Não podemos afirmar que temos descoberta ainda, precisamos dos poços de delimitação”, segundo a CNN Brasil. Esses poços são perfurados perto do primeiro para medir o tamanho da jazida. A perfuração do Morpho deve terminar até o fim de outubro, também segundo a CNN Brasil.
O que o MPF contesta
O recurso veio 25 dias depois da autorização do Ibama, e a descoberta foi anunciada quatro dias depois do recurso. O MPF recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) contra a decisão da Justiça Federal do Amapá, que rejeitou a ação do MPF e de entidades ambientais. O órgão pede a suspensão imediata de qualquer perfuração ou teste no bloco.
O recurso do MPF veio 25 dias depois da autorização do Ibama Datas de 2026 e dias contados a partir da autorização do Ibama, em 3 de setembro
| Data | Evento | Dias após a autorização | Quem informa |
|---|---|---|---|
| Agosto | Primeiro achado de óleo no Morpho | — | Agência Petrobras |
| 3 de setembro (quinta) | Ibama autoriza mais três poços no bloco | 0 | Reuters, via SBT News |
| 28 de setembro (segunda) | MPF recorre ao TRF1 | 25 | MPF |
| 1 de outubro (quinta) | Novo intervalo com óleo, em camada mais profunda | 28 | CNN Brasil |
| 2 de outubro (sexta) | Petrobras anuncia a descoberta | 29 | Agência Petrobras |
| Fim de outubro (previsão) | Conclusão da perfuração do Morpho | — | CNN Brasil |
Fonte: Agência Petrobras; CNN Brasil; SBT News (com informações da Reuters); MPF. Elaboração: redação.
O MPF cita um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar, em janeiro de 2026. Segundo o órgão, o Ibama multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões por negligência operacional. As fontes consultadas não trazem resposta da Petrobras sobre esses pontos. Para dar escala, a multa equivale a 2,5 dias da multa diária de R$ 1 milhão que o MPF pede em caso de descumprimento.
Outro ponto é a consulta prévia, feita antes de decisões que afetam esses grupos. Segundo o MPF, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) exige essa consulta a povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais do Amapá e do Pará. A Justiça do Amapá entendeu que ela não era necessária, porque o poço fica a 179 quilômetros da costa. O MPF discorda.
O que diz a Petrobras: No texto da Agência Petrobras, a empresa diz ter alcançado “mais um intervalo portador de petróleo no poço Morpho” e que as análises seguem em curso. Segundo a estatal, a perfuração e a avaliação serão feitas “de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”. O texto não cita a licença nem o recurso do MPF.
O que isso significa
O que está em disputa é se os três poços adicionais estavam no projeto original e se a ampliação exigia novos estudos. Até a publicação desta reportagem, em 2 de outubro, não havia notícia de decisão do TRF1 sobre o recurso do MPF.
O que vem a seguir: a conclusão da perfuração do Morpho até o fim de outubro e a sonda rumo ao poço Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. Segundo Magda, a empresa ainda tem “mais sete poços para licenciar no Amapá”. Os poços de delimitação e as análises de laboratório vão mostrar quanto petróleo existe e se a extração é viável.
Como fizemos: A análise usa o texto da Agência Petrobras, a cobertura da CNN Brasil, a reportagem da Reuters publicada pelo SBT News e o comunicado do MPF, publicados entre 4 de setembro e 2 de outubro de 2026. As contagens de dias e a comparação da multa são cálculos simples. A situação do recurso é apresentada até 2 de outubro, e os dados não indicam o tamanho da jazida.
Fontes
- Petrobras faz nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na costa do Amapá — Agência Petrobras (acesso em 20/10/2026)
- Viabilidade comercial na Margem Equatorial depende de mais perfurações — CNN Brasil (acesso em 20/10/2026)
- Ibama libera Petrobras para perfurar mais 3 poços no Amapá — SBT News, com informações da Reuters (acesso em 20/10/2026)
- MPF volta a recorrer a tribunal para suspender perfuração de petróleo na Foz do Amazonas — Ministério Público Federal (acesso em 20/10/2026)



