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Após queda de 13,88%, histórico mostra que pânico pode se aprofundar

Em 2008, o Ibovespa caiu cerca de 60% do pico ao fundo em cinco meses; a queda desta segunda não diz onde o pânico vai parar.

Entrada do prédio da Bovespa, com três portas de ferro em arcos de pedra clara e letreiros dourados com a palavra BOVESPA
Entrada do prédio da Bovespa, no centro de São Paulo.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Um dia depois da reeleição de Lula, o dólar subiu 8,21%, a R$ 5,4029, segundo o Bom Dia Mercado.

A B3, empresa que administra a Bolsa paulista, acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. É uma trava que interrompe negociações em quedas fortes. Segundo o Bom Dia Mercado, a perda bateu 10% minutos após a abertura, e o pregão ficou parado por meia hora.

A volatilidade mede o tamanho dos saltos de preço: quanto maior, mais um ativo pode subir e cair em pouco tempo. A queda máxima, ou drawdown, mede a distância entre o maior valor atingido e o menor valor depois.

A matemática da recuperação é dura. Uma perda de 13,88% exige alta de cerca de 16,1% para voltar ao nível anterior. Uma perda de 60% exige alta de 150%. Os cálculos são nossos.

Em 2008, o fundo veio meses depois

Em 20 de maio de 2008, o Ibovespa chegou a 73.517 pontos, recorde histórico, segundo uma coluna do InfoMoney. Em 27 de outubro, caiu para 29.435 pontos. Foram cerca de cinco meses, com perda de cerca de 60% em relação ao pico. O ano de 2008 terminou com queda de 41,22%.

O caso não prova que toda queda continua. Mostra, porém, que no meio do movimento ninguém sabe onde ele termina.

Ativos baratos também caem

Preço baixo não garante recuperação. A OGX, do grupo de Eike Batista, abriu capital em abril de 2008, levantando R$ 6,71 bilhões. Em 30 de outubro de 2013, pediu recuperação judicial, processo em que a empresa renegocia dívidas sob supervisão da Justiça. Segundo a InfoMoney, as ações foram “dos R$ 23 para menos de R$ 0,20”, uma perda de mais de 99% em relação à máxima de R$ 23,39, registrada em 2010.

Em 12 de janeiro de 2016, o Ibovespa fechou em 39.513 pontos, o menor nível de fechamento desde 17 de março de 2009, segundo a Exame. No mesmo dia, a Petrobras preferencial caiu 9,2%, a R$ 5,53. A Vale preferencial caiu 8,33%, a R$ 7,26, o menor preço desde julho de 2004.

O Ibovespa terminou 2016 com alta de 38,94%, segundo a InfoMoney. O mesmo histórico mostra que índices em queda podem subir, e ações baratas podem cair mais.

Por que a queda pode continuar

Três mecanismos explicam por que um ativo em queda pode cair mais. O primeiro é a venda forçada. Quem comprou com dinheiro emprestado, na margem ou com alavancagem, ou seja, aumentando a aposta com dinheiro de terceiros, pode ser obrigado a vender para cobrir dívidas ou perdas. Essa venda empurra o preço para baixo.

O segundo são os custos. Corretagem, taxas e impostos reduzem o resultado em qualquer cenário. O terceiro é a diversificação. Diversificar reduz o peso de um só ativo, mas não impede perda quando o mercado inteiro cai. O prazo também não elimina o risco: mais tempo dá espaço para uma recuperação, mas não garante que ela venha.

Na CNN Brasil, Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, falou em “descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas”. Gabriel Magno, da AW Capital, afirmou: “É por isso que a bolsa cai tanto hoje.” Segundo ele, investidores globais cortam expectativas para mais quatro anos do mesmo perfil de governo.

O que diz a B3: no glossário do Bora Investir, canal da própria B3, o texto afirma que “a B3 pode determinar a suspensão da negociação por um período por ela definido” no terceiro nível de queda, de 20% em relação ao fechamento anterior.

Nenhuma das fontes citadas aqui aponta onde a queda termina. O histórico de 2008 e 2016 mostra que quedas podem durar meses e que um ativo barato pode cair mais. Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Esta reportagem não recomenda comprar nem vender nenhum ativo.

Como fizemos: Verificamos os fatos em 26/10/2026 nas fontes listadas. Os dados do dia vêm do Bom Dia Mercado e da CNN Brasil, que divergem no câmbio (alta de 8,21% e de 8,36%). Calculamos a queda de 2008 (de 73.517 para 29.435 pontos, cerca de 60%), as altas necessárias para recuperar perdas e a perda da OGX a partir de R$ 23,39 e R$ 0,20. Os números de 2008 e da OGX vêm de reportagens e colunas, não de série histórica da B3, e devem ser conferidos nessa série antes de reuso.

Fontes