Amazônia

Parintins tem piora do ar, e Pará soma 909 focos

Sensor de Parintins registra 177,4 µg/m³, 2,4 vezes a leitura anterior; Pará tem 909 focos em um dia, contra 69 no anterior.

Chamas altas e fumaça avançam por área de floresta durante a noite
Queimada em área desmatada de Apuí, no Amazonas, em agosto de 2020; a foto não mostra os eventos desta semana.Foto: Bruno Kelly / Amazônia Real / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Parintins registrou concentração de 177,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 8h47 desta quinta-feira (5). O valor é 2,4 vezes o registrado pelo mesmo sensor na manhã anterior. O boletim ambiental do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) classifica a situação como nova piora do ar.

Barreirinha teve leitura de 134,4 µg/m³ no mesmo horário. Não houve registro validado desse sensor na quarta-feira, o que impede calcular a variação diária. Em Manaus, a concentração caiu de 41,3 para 34,3 µg/m³.

A melhora da capital não vale para todo o estado

Os sensores analisados pertencem à rede SELVA/UEA, sistema de monitoramento ligado à Universidade do Estado do Amazonas. As leituras são locais e de baixo custo. Elas não equivalem a uma média diária nem descrevem toda a população municipal.

A comparação entre os mesmos equipamentos mostra movimentos diferentes. Parintins apresenta aumento de aproximadamente 138% sobre a leitura anterior. Itacoatiara, Autazes e Manaus registraram reduções entre 17% e 25%.

Parintins se distancia dos demais pontos com medição repetida Concentração instantânea em µg/m³, mesmos sensores, manhãs de 4 e 5/11/2026

Local 4/11 5/11 Variação
Parintins 74,6 177,4 +137,8%
Manaus 41,3 34,3 -16,9%
Itacoatiara 58,7 44,1 -24,9%
Autazes 65,7 49,2 -25,1%
Barreirinha Sem dado validado 134,4 Não calculada

Fonte: Boletim do MPC-AM, com dados SELVA/UEA. Percentuais calculados pela redação.

O boletim recomenda priorizar Parintins e Barreirinha na proteção de crianças, idosos e pessoas com doenças cardiopulmonares. As medidas sugeridas incluem ambientes de ar filtrado e ajuste das atividades externas.

O Pará concentra aumento de focos

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou 909 focos no Pará na quarta-feira, pelo satélite AQUA_M-T. No dia anterior, foram 69. O total diário ficou 13,2 vezes maior, um aumento de 1.217%.

Portel teve 86 focos, seguido por Almeirim, com 76, e Uruará, com 72. O Amazonas registrou três focos, todos em Nhamundá, contra dez no dia anterior.

O salto paraense indica mais pontos de calor detectados, não uma medição direta da área queimada. Nuvens e condições de observação interferem na contagem. O boletim também ressalta que a baixa amazonense não demonstra redução proporcional dos incêndios.

Entre 1º e 4 de novembro, o Pará soma 2.058 focos e lidera o ranking estadual. O Amazonas tem 105. Os dez municípios com mais focos no país nesse acumulado ficam no Pará, liderados por Portel, com 188.

Eventos persistentes exigem verificação

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) marcou 35 eventos ativos e 81 em observação no Amazonas nesta manhã. Na quarta, eram 25 ativos e 91 em observação.

A mudança pode envolver novas detecções e reclassificações. Portanto, não significa dez novos incêndios. Boca do Acre tem oito eventos exclusivamente municipais, e Lábrea, cinco.

Um evento entre Juruti e Parintins aparece há 31 dias no painel, associado ao assentamento Vila Amazônia. No Pará, outro evento entre Almeirim e Prainha completa 65 dias, com referência à Floresta Estadual do Paru. Os painéis não apresentam essas contagens como área efetivamente queimada.

O que diz o MPC-AM: o boletim recomenda prioridade a Parintins e Barreirinha na saúde, na assistência e nas escolas. Também orienta verificar eventos persistentes no leste amazonense e manter a resposta articulada com o Pará, sem reduzir a proteção por causa da melhora em Manaus.

O que acompanhar nas próximas horas

A prioridade é confirmar se as concentrações permanecem altas no leste do Amazonas e se os eventos persistentes avançam. A origem da fumaça não pode ser atribuída a municípios específicos apenas pela direção do vento.

O próprio boletim dá confiança moderada à piora em Parintins e à melhora em Manaus. A atribuição das plumas tem confiança baixa. Separar medição, projeção e incerteza evita tanto minimizar o risco quanto afirmar uma origem sem prova.

Como fizemos: Usamos o boletim ambiental publicado pelo MPC-AM em 05/11/2026, com verificação concluída às 8h54 de Manaus. Recalculamos as variações entre os mesmos sensores e dividimos 909 por 69 para chegar a 13,2 vezes. Não somamos focos do Inpe a eventos do Censipam, pois são classificações distintas, e não tratamos leituras instantâneas como médias municipais.

Fontes