Amazônia

Estiagem atinge 160 mil famílias e deixa ar péssimo em Parintins

Boletim do Amazonas lista 47 municípios em emergência e 15 em alerta; Parintins supera 125 µg/m³ de MP2,5, com aviso até sábado.

Trecho do Rio Urubu com margem exposta e vegetação no município de Itacoatiara, Amazonas
Trecho seco do Rio Urubu, em Itacoatiara; a fotografia é de arquivo e não registra a leitura de ar desta sexta-feira.Foto: James Martins / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O boletim de estiagem divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Governo do Amazonas registra 160.240 famílias afetadas. O documento lista 47 municípios em situação de emergência e outros 15 em alerta, totalizando 62 cidades sob algum nível administrativo de atenção.

A atualização também aponta ar péssimo em Parintins. A concentração de partículas finas, chamadas MP2,5, supera 125 microgramas por metro cúbico em 24 horas. O aviso vale até a manhã de sábado (7), segundo a Defesa Civil estadual.

Emergência concentra três quartos dos municípios listados

A emergência alcança 47 das 62 cidades citadas. Essa proporção equivale a 75,8% do total. O alerta reúne os 15 municípios restantes, entre eles Manaus, Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira.

A estiagem se espalha por 62 municípios, mas a maioria está em emergência

Situação administrativa Municípios Participação no total
Emergência 47 75,8%
Alerta 15 24,2%
Total 62 100%

Fonte: boletim do Governo do Amazonas de 06/11/2026. Participações calculadas pela redação.

No ar, o boletim separa três níveis. Parintins aparece no nível severo; nove municípios estão no nível alto, com concentração entre 50 e 125 microgramas; e 23 estão no nível moderado, acima de 15 microgramas por metro cúbico em 24 horas.

Fogo e fumaça exigem respostas diferentes

A atualização estadual contabiliza 4.014 ocorrências ligadas a incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 5 de novembro. No mesmo período, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas diz ter atuado no combate a 24.578 focos de incêndio.

Os dois números não são equivalentes. Ocorrência é registro de atendimento; foco é ponto de fogo identificado no território. A diferença impede transformar automaticamente focos em chamadas ou em área queimada.

O governo informa que cerca de 1.500 servidores atuam na operação, apoiados por 18 aeronaves. Também registra 743 autos de infração, 697 embargos, 78.793,45 hectares embargados e R$ 190,7 milhões em multas aplicadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas entre julho e 5 de novembro.

Essas ações combinam assistência e fiscalização. A entrega de cestas, água e kits de limpeza atende o efeito imediato da estiagem. Autos e embargos tentam reduzir o uso ilegal do fogo, mas não substituem o cuidado com a saúde durante os picos de fumaça.

O que diz o Governo do Amazonas: o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais afirma que a operação continua conforme o monitoramento hidrológico e as demandas municipais. A Defesa Civil informa que o alerta de Parintins e os avisos de qualidade do ar valem até sábado pela manhã.

Para moradores de Parintins e das cidades em nível alto, a leitura de MP2,5 deve orientar a exposição ao ar livre. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios precisam acompanhar as orientações locais. A chuva ou a melhora de uma estação não encerra a estiagem em todo o estado.

O próximo boletim deverá mostrar se os avisos perdem intensidade ou se novos municípios entram nas faixas críticas. Até lá, a combinação de 160 mil famílias afetadas, emergência administrativa e ar ruim mantém a resposta pública sob pressão.

Como fizemos: Conferimos o boletim estadual reproduzido em 06/11/2026 e as informações da Defesa Civil e do Ipaam nele citadas. Dividimos 47 municípios em emergência por 62 no total para obter 75,8%. Contamos os municípios listados em cada nível de qualidade do ar e não tratamos focos como ocorrências equivalentes.

Fontes