Amazônia

Rede pan-amazônica mapeia 232 políticas de bioeconomia em nove países

A Radar Bioecon, da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, reúne 232 políticas em nove países, mas não mostra quantas há em cada um.

Ouriço de castanha-do-pará aberto e fechado, cercado de castanhas com casca sobre fundo azul
Castanhas-do-pará (Bertholletia excelsa), produto extrativista da Amazônia; foto de arquivo de 2009, sem local informado.Foto: P. S. Sena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na quinta-feira (22), a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia lançou o Radar Bioecon. A plataforma reúne pelo menos 232 políticas públicas, programas e instrumentos de bioeconomia. Segundo a Agência Brasil, ela cobre nove países e territórios da região.

Bioeconomia é o uso econômico de recursos da biodiversidade, como os produtos da floresta. O ponto central desta reportagem é o que o mapa ainda não mostra. As reportagens consultadas trazem o total e a lista de países. Nenhuma traz quantas políticas há em cada país ou em cada estado brasileiro.

O Radar foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da rede, segundo a Gazeta da Amazônia. Juliana Simões, da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, e Bruno Castro Lacerda, da Conservação Internacional, coordenam o grupo. Os países listados são Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

O que a plataforma reúne

Segundo a Gazeta da Amazônia, o Radar inclui estratégias nacionais de bioeconomia, mecanismos de financiamento, compras públicas, incentivos à produção e apoio a empreendimentos comunitários. A ferramenta permite comparar políticas que têm nomes diferentes, como biocomércio e empreendedorismo verde.

Entre os exemplos brasileiros estão o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compram alimentos da agricultura familiar. Também aparece a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio), que cobre 17 produtos extrativistas, segundo a Gazeta.

Segundo a Agência Brasil, a plataforma aceita sugestões de novas políticas e atualizações. Essas sugestões passam por curadoria antes de entrar no sistema.

Quem fica com o dinheiro

Um estudo da rede mapeou 141 mecanismos financeiros para a bioeconomia pan-amazônica. Publicado em 14 de novembro de 2025, com apoio da NatureFinance e da Impact Finance, ele se apresenta como o primeiro mapeamento abrangente desse tipo.

Mapeamento financeiro reúne 141 mecanismos Números do resumo público do estudo sobre a região pan-amazônica

Indicador Valor
Mecanismos financeiros mapeados 141
Combinam recursos públicos, privados e filantrópicos 57,5%

Fonte: NatureFinance, resumo do estudo de 2025. Elaboração: redação.

Analistas citados pela Agência Brasil dizem que o potencial produtivo da região é travado pela fraca integração entre governos e pela dificuldade de acesso ao crédito.

Juliana Simões defende que a bioeconomia seja tratada como política de Estado. Em suas palavras, “precisamos tratá-la como uma agenda de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das políticas públicas”.

O que diz a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia: Segundo a Gazeta da Amazônia, o Radar serve para que governos, organizações e empreendedores comparem políticas e encontrem oportunidades de integração. A rede não foi ouvida diretamente nesta apuração, e a posição vem das reportagens citadas em Fontes.

O que isso significa

O mapa mostra que há muitos instrumentos em nove países. Mas a cobertura disponível não diz quais países ou estados têm regras para renda da floresta, nem quantas são. Também não informa quem recebe os recursos.

A divisão das políticas por país e por estado e a identificação dos beneficiários são informações necessárias para avaliar o alcance do Radar.

Como fizemos: A análise usa reportagens da Gazeta da Amazônia e da Agência Brasil e o resumo público do estudo da NatureFinance. O total de políticas e os dados financeiros são mantidos com atribuição. A cobertura disponível não permite comparar o número de instrumentos por país ou estado nem identificar quem recebe os recursos.

Fontes