Amazônia

Maioria dos focos de calor no Amazonas está em imóveis privados

Levantamento do Inpe citado pela Sputnik Brasil aponta concentração de focos entre 1º e 15 de outubro em terras com registro no CAR.

Dois brigadistas de roupa amarela caminham em mata com fumaça, enquanto um foco de fogo arde junto ao tronco de uma palmeira
Brigadistas do Prevfogo, do Ibama, controlam um foco de queimada em Apuí, no Amazonas, em agosto de 2020.Foto: Bruno Kelly / Amazônia Real / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A maior parte dos focos de calor registrados no Amazonas entre 1º e 15 de outubro de 2026 estava em imóveis rurais privados, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citado pela Sputnik Brasil e republicado pelo Tribuna do Agreste. O recorte indica concentração do fogo em terras com registro declarado, sem identificar os responsáveis pelas queimadas.

Um foco de calor é um ponto que o satélite identifica como mais quente que o entorno. Ele sinaliza fogo, mas não mede a área queimada. Já o Cadastro Ambiental Rural (CAR) é o registro de imóveis rurais que o proprietário declara ao governo, com os limites da área. O cadastro mostra a quem a terra está declarada, mas não diz quem acendeu o fogo.

De quem é a terra que queima

A reportagem da Sputnik atribui ao Inpe a contagem de 1.639 focos no estado no período e informa que a maioria estava em imóveis privados com CAR. Os dados de fiscalização citados na mesma cobertura são estes:

Fiscalização no Amazonas, outubro de 2026

Dado Valor Período
Multas aplicadas pelo Ibama R$ 2 milhões Semana anterior ao levantamento
Pessoas autuadas em Autazes e Careiro da Várzea 19 Uma semana
Área embargada pelo Ibama Mais de 250 hectares Não informado

Fonte: Sputnik Brasil, via Tribuna do Agreste (Inpe e Ibama). Elaboração: redação.

A reportagem também cita o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Entre 4 e 14 de outubro, o instituto contou 5.598 focos, 37 vezes o número do mesmo período do ano anterior. Como os períodos são diferentes, os números do Inpe e do Ipam não se somam.

Segundo a reportagem, a alta se acentuou a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno da eleição. Ela também cita relatos de possível sensação de impunidade no período eleitoral. Coincidir com a votação não prova causa, e a origem dos focos ainda é investigada.

Quem responde pelo fogo

Segundo a reportagem, o Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas desde a semana anterior ao levantamento. Agentes autuaram 19 pessoas em Autazes e Careiro da Várzea e embargaram mais de 250 hectares. Também encontraram garrafas com combustível ao longo de estradas.

A Polícia Civil do Amazonas abriu mais de 120 procedimentos para apurar o uso criminoso do fogo. Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também aparecem entre os órgãos que investigam. Para o Ibama, a causa ainda depende de investigação.

O presidente do Ibama, Jair Schmitt, disse à Sputnik que “o início do fogo decorre da ação humana”.

O que diz o Ibama: Em 10 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que 229 incêndios já foram extintos no Amazonas desde o início do período crítico, e que o Ibama seguia em campo para conter outros 20, segundo a Agência Brasil. Na reportagem da Sputnik, o presidente do órgão, Jair Schmitt, atribui o início do fogo à ação humana.

O que isso significa

Os dados mostram que a maior parte dos focos está em terras privadas registradas, e não em áreas sem dono. O cadastro permite identificar quem declarou a área. Ele não prova quem usou o fogo, e essa ligação depende das investigações.

O que ainda não se sabe é quantos desses focos viram processo. Os números divulgados até agora não trazem esse dado.

Como fizemos: Os dados são atribuídos ao Inpe, ao Ipam e ao Ibama pela reportagem da Sputnik Brasil republicada pelo Tribuna do Agreste. Foco de calor é detecção por satélite e não mede área queimada. Como os números do Ipam e do Inpe cobrem períodos diferentes, eles não foram somados.

Fontes