Maioria dos focos de calor no Amazonas está em imóveis privados
Levantamento do Inpe citado pela Sputnik Brasil aponta concentração de focos entre 1º e 15 de outubro em terras com registro no CAR.

A maior parte dos focos de calor registrados no Amazonas entre 1º e 15 de outubro de 2026 estava em imóveis rurais privados, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citado pela Sputnik Brasil e republicado pelo Tribuna do Agreste. O recorte indica concentração do fogo em terras com registro declarado, sem identificar os responsáveis pelas queimadas.
Um foco de calor é um ponto que o satélite identifica como mais quente que o entorno. Ele sinaliza fogo, mas não mede a área queimada. Já o Cadastro Ambiental Rural (CAR) é o registro de imóveis rurais que o proprietário declara ao governo, com os limites da área. O cadastro mostra a quem a terra está declarada, mas não diz quem acendeu o fogo.
De quem é a terra que queima
A reportagem da Sputnik atribui ao Inpe a contagem de 1.639 focos no estado no período e informa que a maioria estava em imóveis privados com CAR. Os dados de fiscalização citados na mesma cobertura são estes:
Fiscalização no Amazonas, outubro de 2026
| Dado | Valor | Período |
|---|---|---|
| Multas aplicadas pelo Ibama | R$ 2 milhões | Semana anterior ao levantamento |
| Pessoas autuadas em Autazes e Careiro da Várzea | 19 | Uma semana |
| Área embargada pelo Ibama | Mais de 250 hectares | Não informado |
Fonte: Sputnik Brasil, via Tribuna do Agreste (Inpe e Ibama). Elaboração: redação.
A reportagem também cita o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Entre 4 e 14 de outubro, o instituto contou 5.598 focos, 37 vezes o número do mesmo período do ano anterior. Como os períodos são diferentes, os números do Inpe e do Ipam não se somam.
Segundo a reportagem, a alta se acentuou a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno da eleição. Ela também cita relatos de possível sensação de impunidade no período eleitoral. Coincidir com a votação não prova causa, e a origem dos focos ainda é investigada.
Quem responde pelo fogo
Segundo a reportagem, o Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas desde a semana anterior ao levantamento. Agentes autuaram 19 pessoas em Autazes e Careiro da Várzea e embargaram mais de 250 hectares. Também encontraram garrafas com combustível ao longo de estradas.
A Polícia Civil do Amazonas abriu mais de 120 procedimentos para apurar o uso criminoso do fogo. Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também aparecem entre os órgãos que investigam. Para o Ibama, a causa ainda depende de investigação.
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, disse à Sputnik que “o início do fogo decorre da ação humana”.
O que diz o Ibama: Em 10 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que 229 incêndios já foram extintos no Amazonas desde o início do período crítico, e que o Ibama seguia em campo para conter outros 20, segundo a Agência Brasil. Na reportagem da Sputnik, o presidente do órgão, Jair Schmitt, atribui o início do fogo à ação humana.
O que isso significa
Os dados mostram que a maior parte dos focos está em terras privadas registradas, e não em áreas sem dono. O cadastro permite identificar quem declarou a área. Ele não prova quem usou o fogo, e essa ligação depende das investigações.
O que ainda não se sabe é quantos desses focos viram processo. Os números divulgados até agora não trazem esse dado.
Como fizemos: Os dados são atribuídos ao Inpe, ao Ipam e ao Ibama pela reportagem da Sputnik Brasil republicada pelo Tribuna do Agreste. Foco de calor é detecção por satélite e não mede área queimada. Como os números do Ipam e do Inpe cobrem períodos diferentes, eles não foram somados.



