Amazônia

Ufopa lança laboratório com 60 pesquisadores na Amazônia

Rede com UnB e instituto francês terá sete anos e três territórios; acordos formais e regimento do colegiado ainda serão elaborados.

Ilustração abstrata em verde, amarelo e azul, com círculos e formas geométricas
Imagem provisória em cores da marca, utilizada porque não foi localizada foto licenciada do lançamento do laboratório.Ilustração: Imagem provisória

A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) lançou na quarta-feira (4) um laboratório internacional com cerca de 60 pesquisadores e organizações comunitárias. O projeto terá duração inicial de sete anos e atuará em três territórios amazônicos. Os acordos formais e o regimento de governança ainda serão elaborados.

O Laboratório Misto Internacional (LMI) AGORA reúne a Ufopa, a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França. A sigla significa Governança Transformadora e Monitoramento Comunitário pela Reexistência na Amazônia.

Três territórios orientam a pesquisa

A cerimônia ocorreu no Auditório Wilson Fonseca, em Santarém, no Oeste do Pará. Representantes das instituições assinaram um termo simbólico de compromisso. Organizações dos territórios firmaram uma carta de intenção elaborada durante dois dias de debates.

O laboratório funcionará como rede de cooperação, não como uma unidade física isolada. Articulará projetos existentes e novas pesquisas sobre água, clima, sociobioeconomia e transformações sociais e ambientais. A proposta inclui formação, oficinas e ferramentas de monitoramento comunitário.

O projeto distribui a pesquisa por três regiões amazônicas Territórios de referência informados pela Ufopa no lançamento de 04/11/2026

Território Localização Recorte informado
Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá Amazonas Uma reserva
Santarém e Baixo Amazonas Pará Região do Oeste paraense
Nordeste paraense Pará 17 municípios

Fonte: Universidade Federal do Oeste do Pará.

A divisão impede que a agenda se concentre apenas na sede da universidade. Também cria uma comparação entre realidades distintas: uma reserva de uso sustentável, a região do encontro dos rios Tapajós e Amazonas e um conjunto de 17 municípios.

Comunidades entram na definição das prioridades

A estrutura prevê seis eixos: produção conjunta de conhecimento, monitoramento ambiental, diálogo entre saberes, inovação em defesa territorial, apoio a políticas públicas e compartilhamento de dados. O objetivo é incluir moradores desde a escolha das perguntas de pesquisa.

Durante o lançamento, representantes indígenas, pescadores e coletivos comunitários apresentaram demandas concretas. Citaram qualidade da água, presença de mercúrio, mudanças na pesca e alterações na temperatura dos igarapés. Esses temas não equivalem a uma lista final de projetos já contratados.

A vice-presidente do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, Rosângela Tapajó, defendeu que as lideranças sejam ouvidas nas decisões. Cristina Pinto, do Conselho de Pesca do Arapixuna, pediu pesquisas sobre água, pesca e saúde. Marlon Rebelo Gama, do coletivo Guardiões do Bem-Viver, afirmou que a comunidade quer participar da pesquisa, e não ser apenas objeto dela.

A governança ainda depende de documentos formais

O laboratório foi aprovado em março e tem previsão de funcionamento até 2033. A coordenação é compartilhada por Wandicleia Lopes de Sousa, da Ufopa; Stéphanie Nasuti, da UnB; e Marie-Paule Bonnet, do IRD.

A rede também reúne instituições como Instituto Mamirauá, Universidade Federal do Pará e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A participação ampliada permite combinar monitoramento ambiental, ciências sociais e conhecimento produzido nos territórios.

Apesar do lançamento, a Ufopa informa que o instrumento formal de cooperação institucional segue em elaboração. Os acordos com as organizações e o regulamento do Colegiado de Acompanhamento também serão feitos posteriormente. Esse colegiado deverá reunir instituições e comunidades para definir prioridades e avaliar resultados.

A carta de intenção já estabelece princípios importantes. Prevê respeito aos protocolos comunitários de consulta e autorização. Também determina que os resultados sejam compartilhados em formatos acessíveis às populações participantes.

O que diz a Ufopa: a vice-reitora Solange Ximenes afirmou no lançamento que o laboratório promove “uma perspectiva de pesquisa das comunidades” e carrega a identidade dos territórios. Segundo a universidade, o compromisso é incluir os povos amazônicos desde a definição das prioridades até a produção dos resultados.

O que vem a seguir

A próxima etapa é transformar os princípios assinados em regras, projetos e formas de prestação de contas. O funcionamento do colegiado será decisivo para medir se a participação comunitária terá poder efetivo de decisão.

Os documentos formais também deverão esclarecer responsabilidades e encaminhamento das pesquisas. Para os moradores, o resultado concreto dependerá de como os dados sobre rios, pesca, clima e saúde retornarem aos territórios e orientarem políticas públicas.

Como fizemos: Comparamos a programação institucional publicada em 29/10/2026 com o balanço do evento divulgado pela Ufopa em 04/11/2026. Separamos a estrutura anunciada dos documentos ainda pendentes e organizamos os três territórios em tabela. Não tratamos a assinatura simbólica como conclusão dos acordos formais nem as demandas das lideranças como projetos já aprovados.

Fontes