Recursos naturais

Brasil e Alemanha formalizam ajuste do TerraMar II

Publicação desta quinta regulamenta cooperação assinada em junho, com até 4 milhões de euros e contrapartida brasileira não financeira.

Fotografia em preto e branco mostra manguezal, rio, pequena embarcação e montanhas
Manguezal da Estação Ecológica Ilha do Lameirão, em Vitória, fotografado em 2015; a imagem ilustra o ecossistema, não uma área do projeto.Foto: Alexandre Ramos Ricardo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O ajuste complementar de cooperação entre Brasil e Alemanha para o TerraMar II foi publicado nesta quinta-feira (5). O documento prevê contribuição alemã de até 4 milhões de euros em recursos humanos e materiais. A contrapartida brasileira é não financeira.

A assinatura ocorreu em 8 de junho, durante cerimônia na Agência Brasileira de Cooperação (ABC). A publicação de hoje formaliza o texto no sistema de acordos do Itamaraty. Não se trata de um novo valor anunciado nesta data, mas da regulamentação de uma fase já apresentada em junho.

O que o ajuste estabelece

O projeto se chama Proteção e Gestão Integrada da Biodiversidade Marinha e Costeira. A coordenação cabe à ABC, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, com participação de instituições brasileiras e alemãs.

Segundo o resumo do ato publicado pelo Atlas Público, a vigência pode chegar a seis anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois. O Termo de Compromisso de Execução deve ser firmado até 30 de novembro de 2028.

A Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), do governo alemão, informou em junho apoio de aproximadamente 4 milhões de euros ao longo de quatro anos. Os prazos não são idênticos porque um descreve a nova fase operacional e outro estabelece o marco geral da cooperação.

O acordo tem datas e prazos distintos Etapas da cooperação TerraMar II informadas pelas fontes oficiais e pelo registro do ato

Etapa Data ou prazo
Assinatura do ajuste 8 de junho de 2026
Publicação do registro 5 de novembro de 2026
Limite para Termo de Compromisso de Execução 30 de novembro de 2028
Vigência do ajuste Até 6 anos, prorrogáveis por 2

Fonte: Itamaraty, Atlas Público e Iniciativa Internacional para o Clima.

O dinheiro não é repasse ao Tesouro

A forma da contribuição é central para entender o acordo. Os recursos alemães aparecem como pessoal e materiais, não como transferência financeira livre para o governo brasileiro. O Brasil também entra com contrapartida não financeira.

Isso significa que o valor não deve ser lido como um fundo disponível para qualquer despesa ambiental. A execução precisa detalhar atividades, responsabilidades e entregas no Termo de Compromisso previsto no ajuste.

A cooperação apoia planejamento espacial marinho e costeiro, gestão integrada de ecossistemas e uso sustentável dos recursos naturais. O projeto também prevê fortalecer a economia azul, conceito que reúne atividades ligadas ao mar com critérios ambientais e benefícios sociais.

Ecossistemas entram na adaptação climática

Manguezais, recifes de corais e estuários estão entre os ambientes incluídos na nova fase. Segundo a IKI, esses ecossistemas contribuem para conservar a vida marinha e proteger zonas costeiras.

Estuários são áreas de encontro entre rios e mar. Eles abrigam cadeias alimentares e atividades pesqueiras. Manguezais também oferecem proteção costeira e sustentam comunidades que dependem dos recursos naturais.

O projeto relaciona conservação e renda, em vez de tratar a proteção ambiental como isolamento das populações. As ações previstas incluem oportunidades econômicas para comunidades tradicionais e populações costeiras.

A Amazônia Azul, termo usado para o espaço marítimo brasileiro e seus recursos, aparece como eixo estratégico. Para a costa amazônica, a relevância está na integração entre gestão pública, conhecimento científico e sustento das comunidades.

O que diz o Itamaraty: o ajuste registrado no sistema Concórdia estabelece contribuição alemã de até 4 milhões de euros em recursos humanos e materiais para o TerraMar II. O resumo do ato informa contrapartida brasileira não financeira e coordenação da Agência Brasileira de Cooperação.

O que vem a seguir

O próximo marco é a elaboração do Termo de Compromisso de Execução. Esse documento deverá tornar mais claras as atividades e as responsabilidades de cada instituição.

A comparação entre os 4 milhões de euros e resultados ambientais só será possível quando houver detalhamento operacional e relatórios de execução. Por ora, o ato confirma a estrutura da cooperação, não entregas já concluídas.

Como fizemos: Conferimos o registro do ajuste no sistema Concórdia, o resumo publicado pelo Atlas Público em 05/11/2026 e a apresentação da nova fase pela IKI em 12/06/2026. Separamos assinatura, publicação, vigência e prazo operacional para evitar tratar o ato de hoje como novo anúncio financeiro. Não convertemos euros em reais porque o documento não informa data de desembolso nem taxa de câmbio.

Fontes