Recursos naturais

Plano de Flávio prevê fracking e privatizações, mas não cita a Petrobras

Segundo a Agência iNFRA, a palavra Petrobras não aparece nas 76 páginas do plano, que prevê fracking e privatizações caso a caso.

Trabalhadores de macacão vermelho e capacete entre caminhões-bomba, válvulas e tubulações de alta pressão em um poço de fraturamento hidráulico
Operação de fraturamento hidráulico na formação Bakken, em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, em agosto de 2011.Foto: Joshua Doubek / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Em 13 de agosto, Flávio Bolsonaro apresentou seu plano de governo e pediu o registro da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O texto prevê ampliar o mercado de gás e permitir o fracking. A Petrobras, porém, não aparece no plano.

O achado é este: o plano trata de gás e fracking, mas a estatal aparece nas falas de campanha. Reunimos essas falas na tabela abaixo, em ordem de data, com a leitura do plano feita pela Agência iNFRA.

O fracking, ou fraturamento hidráulico, injeta água, areia e produtos químicos sob alta pressão no subsolo. A técnica racha camadas de rocha para liberar o gás ou o petróleo preso nelas. Por mexer com água e rocha, a atividade exige licenciamento, o conjunto de autorizações ambientais necessárias para funcionar.

O que o plano diz sobre gás e fracking

O plano propõe três mudanças: ampliar a rede de escoamento e transporte de gás, permitir o fracking e rever a Lei das Estatais. Essa lei define regras de gestão das empresas públicas. Foi criada depois da Lava Jato para proteger as estatais de indicações políticas, segundo o eixos.

Sobre o fracking, o texto fala em permitir a exploração do gás não convencional “com responsabilidade ambiental e cumprindo a lei”. O plano de Lula não trata do tema, segundo o eixos. A Forbes observa que o documento não dá volumes nem condições específicas para a atividade.

A Petrobras some do plano, mas aparece nas falas

Segundo a Agência iNFRA, a palavra Petrobras não aparece em nenhuma das 76 páginas do plano. Em 18 de agosto, o coordenador Rogério Marinho disse à CNN Brasil que “não há nenhum plano no sentido de privatizar a Petrobras”, mas não descartou vender ativos. Uma semana depois, Adriano Pires, que coordena o capítulo de energia do plano, defendeu debater uma capitalização da estatal.

Petrobras aparece nas falas da campanha, mas não no plano Menções à Petrobras em falas públicas e no plano, de dezembro de 2025 a outubro de 2026

Data Fonte O que foi dito ou escrito
Dez. 2025 Flávio Bolsonaro, segundo o Aos Fatos Favorável a privatizar os Correios e partes da Petrobras
13/8/2026 Plano de governo de Flávio Nenhuma menção ao nome da Petrobras em 76 páginas
18/8/2026 Rogério Marinho, coordenador da campanha “Não há nenhum plano no sentido de privatizar a Petrobras”
25/8/2026 Adriano Pires, coordenador do capítulo de energia “Não podemos nos furtar a ter essa discussão” (sobre capitalização)
8/10/2026 Decisão do TSE, ministro André Mendonça Mandou retirar vídeo que atribuía a Flávio a privatização da estatal
9/10/2026 Flávio Bolsonaro “Isso é uma boataria, é uma boataria atrás da outra”

Fontes: Aos Fatos, Agência iNFRA, CNN Brasil, SBT News, Poder360 e InfoMoney (Reuters). Elaboração: redação.

Capitalização é a entrada de dinheiro novo de investidores na empresa, o que pode diluir a fatia da União. Em 8 de outubro, o vice-presidente do TSE, André Mendonça, mandou retirar um vídeo de dois deputados que atribuía a Flávio a privatização da Petrobras. Ele afirmou que as propostas atribuídas ao candidato no vídeo “não encontram respaldo concreto nos elementos objetivos disponíveis”.

No dia seguinte, Flávio negou que pretenda privatizar a estatal: “Isso é uma boataria, é uma boataria atrás da outra.” Em 16 de outubro, o Aos Fatos checou a entrevista de Flávio à TV Globo e concluiu que ele omitiu declarações anteriores, dele e de sua equipe, sobre privatizações.

Privatização caso a caso e cortes sem lista

O plano prevê retomar o Programa Nacional de Desestatização (PND), o programa federal de privatizações, avaliando caso a caso. Segundo a Forbes, o texto não traz lista de empresas, prazo ou estimativa de receita. A promessa de cortar “no mínimo 10 ministérios” também não diz quais pastas nem quanto se economizaria. Na mineração, o plano prevê atrair capital estrangeiro e simplificar o licenciamento, segundo o Brasil de Fato.

O que diz Flávio Bolsonaro: O candidato negou que pretenda privatizar a Petrobras e chamou os rumores de “boataria”, segundo a Reuters, publicada pela InfoMoney. Sua campanha, segundo o Aos Fatos, promete não privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica Federal.

O que isso significa

O plano trata de gás, fracking e privatizações em termos gerais, sem citar a Petrobras. As falas de campanha, porém, tratam da estatal em ao menos três ocasiões entre agosto e outubro. Quem busca no plano a resposta sobre o papel da Petrobras não a encontra no texto.

Ficam em aberto três pontos: quais estatais entrariam no programa de privatizações, em que condições o fracking seria permitido e quem fiscalizaria a atividade. O segundo turno é em 25 de outubro, quando o eleitor escolhe entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Como fizemos: Usamos as citações do plano de governo de Flávio Bolsonaro tal como aparecem em reportagens de agosto e outubro de 2026, sem leitura integral do documento nesta checagem. A contagem de zero menções à Petrobras é da Agência iNFRA, que fala em 76 páginas; uma reportagem anterior à entrega falava em 70. Falas e datas foram conferidas em reportagens acessadas em 20 de outubro de 2026, e a definição de fracking vem da Wikipédia. Os dados não mostram o que um eventual governo faria na prática.

Fontes