Amazônia

Belém entregou canais e parques da COP30, mas obras seguem abertas

Oito obras da COP30 foram entregues em Belém em 2025, mas a Rômulo Maiorana e o Parque Igarapé São Joaquim seguem sem conclusão.

Homem de camisa branca assina um documento em uma mesa alta de palco, ao lado de uma mulher de blusa verde que sorri; ao fundo, um telão colorido com logotipos do Governo do Pará
Cerimônia de 17 de junho de 2023, em Belém, com assinatura da ordem de serviço para as obras do Porto Futuro II, um dos legados da COP30.Foto: Ricardo Stuckert/PR / Palácio do Planalto / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 9 de janeiro de 2026, o governo do Pará informou que oito obras da COP30 foram entregues em Belém ao longo de 2025. A lista inclui seis canais e dois parques lineares. Quase um ano depois da conferência, a pergunta é o que ficou pronto e o que ainda não ficou.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) foi realizada em Belém em novembro de 2025. A Agência Pública informou que os investimentos para sediá-la somaram R$ 11 bilhões. Desse total, R$ 6 bilhões vieram do governo federal e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O que foi entregue

Entre as entregas estão os canais da Timbó, Cipriano Santos, Vileta, Leal Martins e Gentil Bittencourt, além do Canal União. Os parques lineares Nova Doca, com 1,2 km e mais de 23 mil m² requalificados, e Nova Tamandaré, com 1.400 metros, também foram entregues, segundo a Agência Pará.

No Porto Futuro II, a Caixa Cultural Belém foi inaugurada em 8 de outubro de 2025, com 3.200 m² de área construída. A CNN Brasil informou que a inauguração encerrou as obras do complexo.

O Parque da Cidade ocupa cerca de 500 mil m² de uma antiga área de aeroporto, segundo O Liberal. A Bacana News informou que ele foi inaugurado em 27 de junho de 2025. No começo de junho de 2026, o Diário do Pará noticiou a Lei nº 11.460, que declara o parque patrimônio cultural do Pará.

Os números de uso divergem. A Bacana News citou média de 5,8 mil visitantes por dia, sem dizer de onde veio o dado. Uma coluna do site Olavo Dutra, de 23 de março de 2026, afirmou que parte dos espaços está fechada e que o investimento foi de cerca de R$ 980 milhões.

O que segue inacabado

A Avenida Rômulo Maiorana é o caso mais visível. Em novembro de 2025, a Agência Pública a listou entre as obras inacabadas. Em setembro daquele ano, governo estadual e prefeitura haviam dito que as obras eram aceleradas para entrega até a COP.

Em 5 de setembro de 2026, O Liberal informou que o primeiro trecho, entre as travessas Lomas Valentinas e Mauriti, foi entregue pela Prefeitura de Belém. A última etapa, até a travessa Antônio Baena, deve ficar pronta até o fim deste ano, segundo o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Fábio Rodrigues.

O Parque Igarapé São Joaquim também ficou para trás. Segundo a Agência Pública, a primeira etapa, prevista para outubro de 2025, não foi concluída. Não encontramos registro de entrega posterior.

Nos canais Bengui e Marambaia, a Agência Pará informou que a obra de drenagem estava com mais de 90% executada em agosto de 2025. O secretário-adjunto de Obras Públicas, Gilmar Mota, disse que as obras estavam na reta final. A lista de entregas de 2025 divulgada pela Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) em 29 de dezembro não inclui esses canais.

Na saúde, o Ministério da Saúde anunciou em julho de 2025 R$ 53 milhões para a rede de Belém. O pacote inclui oito Unidades Básicas de Saúde (UBS) em construção. Não encontramos registro de conclusão dessas unidades.

Segundo a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), citada em reportagem de março de 2026, a cobertura de esgoto na área urbana subiu de 18,79% para 38,68%. Um professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) avaliou que parte dessas obras ainda está em andamento.

Quem paga a conta

A Agência Pública registrou, em novembro de 2025, famílias removidas nos bairros Vileta e Caraparu. A reportagem não informou quantas.

Na moradia, o Residencial Viver Pratinha, do programa federal Minha Casa, Minha Vida, tinha 336 unidades entregues de 768 previstas em outubro de 2026, segundo o portal Brasil em Folhas. A reportagem não vincula o residencial à COP30.

O que diz a Seop: Segundo a Agência Pará, o secretário de Obras Públicas, Ruy Cabral, afirmou que 2025 foi marcado por investimentos históricos em obras que “se consolidam como legado”. A Agência Pública informou que a Seop não respondeu às perguntas sobre as obras inacabadas, em novembro de 2025.

O que isso significa

O balanço é misto. Oito obras foram entregues em 2025, e o Porto Futuro II foi concluído. Mas canais de drenagem, a Rômulo Maiorana e parte da saúde seguem em aberto ou sem prova pública de conclusão. Não há balanço oficial consolidado da carteira de obras da COP30 em Belém.

Os próximos marcos são a última etapa da Rômulo Maiorana, prevista para o fim de 2026, e o destino do Parque da Cidade, cujo uso ainda é disputado.

Como fizemos: Reunimos comunicados oficiais e reportagens publicados entre setembro de 2025 e outubro de 2026, acessados em 24 de outubro de 2026. Os números de entregas, investimentos e público são declarações do governo ou de reportagens, sem auditoria independente. Calculamos a proporção do Viver Pratinha: 336 de 768 unidades, cerca de 44%. Não encontramos dados públicos de visitação do Parque da Cidade nem balanço de 2026 das obras da COP30.

Fontes