Amazônia

Boletim de urna em área remota pode ir por satélite e fica público

Cada urna imprime o boletim ao fim da votação. A cópia fica na porta da seção, e qualquer pessoa pode comparar o número com o total oficial.

Mascote em forma de urna eletrônica, com rosto sorridente e a marca da Justiça Eleitoral, diante de um painel azul do TSE
Mascote em forma de urna eletrônica no evento dos 30 anos da urna, em foto de 4 de maio de 2026.Foto: Alejandro Zambrana / Secom TSE / Wikimedia Commons (Domínio público)

No domingo de votação, as urnas funcionam das 8h às 17h, no horário de Brasília. Ao fim, cada urna imprime o boletim de urna (BU). É um papel com os votos de cada candidato e legenda daquela seção, além do número de eleitores que compareceram.

O BU precisa virar um número que qualquer pessoa possa conferir, inclusive em comunidades ribeirinhas e indígenas. As etapas são a cópia pública, o envio dos dados, a totalização (a soma de todas as seções) e a conferência. Veja o que está documentado para 2026.

Na seção, uma cópia fica na porta

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são impressas cinco vias do BU. Uma delas é afixada na porta da sala onde funcionou a seção. Interessados podem consultar o resultado ali.

Essa cópia também pode ser fotografada. A foto serve de registro para um fiscal de partido ou um eleitor comparar depois.

Depois da impressão, a mídia de resultado sai da urna e segue para as juntas eleitorais. Ela guarda uma versão digital do BU, sem nenhuma identificação que ligue o eleitor ao voto.

Satélite: o que a Justiça Eleitoral contratou

As urnas não têm conexão com a internet, segundo a mesma reportagem. Em locais de difícil acesso, há procedimentos próprios, que o texto não detalha.

Para 2026, a Justiça Eleitoral contratou em março a Hughes Telecomunicações do Brasil. A empresa usa terminais ligados à rede de satélites da Starlink, serviço de internet por satélite de Elon Musk. São até 1.113 terminais, em 13 estados e no próprio TSE. Amazonas e Pará podem receber até 350 cada.

A conexão só é usada depois do fim da votação. Após a emissão do BU, os dados seguem ao TSE para a totalização. Segundo o Tecnoblog, a conexão não é usada para registrar votos.

No Maranhão, a reportagem cita 66 locais com antenas Starlink Mini. Não encontrei a lista de locais no Amazonas e no Pará, nem a regra de 2026 para levar a mídia por barco ou avião.

Do boletim ao número público

No Portal Resultados do TSE, a área “Arquivos de Urna” permite escolher UF, município, zona e seção, e abrir o BU daquela urna. Os números de zona e seção estão no título de eleitor e no aplicativo e-Título, segundo a Investnews.

O BU impresso traz um QR code, um código quadriculado que o celular lê. Pelo aplicativo Boletim na Mão, qualquer pessoa pode comparar os votos da seção com os números divulgados pelo TSE.

Seção que some da lista não quer dizer voto perdido. Em 2022, o TSE explicou que algumas seções foram agregadas a outras, e os votos foram computados, segundo o Projeto Comprova. O Portal de Dados Abertos do TSE reúne as bases da eleição. Esta reportagem não baixou os arquivos de 2026.

Testes antes e depois da votação

O teste de integridade é uma votação simulada, feita desde 2002. Votos previamente definidos são digitados na urna. Depois do fechamento, o resultado da máquina é comparado com esses registros, segundo o Times Brasil.

No 1º turno, em 4 de outubro, 55 auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) observaram os testes, segundo o Times Brasil. O TCU informa que acompanha os testes nas 27 unidades da Federação. Parte da fiscalização ocorreu na sede do TSE, em Brasília.

Na véspera, as urnas a serem auditadas são escolhidas em cerimônia pública, por sorteio ou por indicação de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público (MP) e partidos, segundo o Correio. O relatório consolidado do TCU deve chegar ao TSE em até 30 dias corridos após o 2º turno.

O que diz o TSE: Não houve contato direto com o tribunal para esta matéria. Reportagem do Tecnoblog, de 28 de setembro de 2026, diz que a conexão por satélite “não interfere no funcionamento das urnas”. As páginas oficiais do TSE retornaram erro de acesso nesta apuração.

O que isso significa

Três pontos seguem abertos. A lista de locais com satélite, por município, não apareceu nas fontes lidas. O transporte da mídia de áreas sem conexão em 2026 também não foi confirmado. E o relatório do TCU ainda está no prazo.

Quem quer contestar um resultado precisa apontar a seção e apresentar prova do problema, dentro dos prazos da lei eleitoral. Esta reportagem não detalha esse rito.

Como fizemos: Lemos reportagens de ES Hoje (com informações do TRE-ES e do TSE), Investnews, Tecnoblog (28/09/2026), Times Brasil (04/10/2026), Correio (20/02/2026) e Projeto Comprova (10/11/2022), além da página do TCU (02/10/2026), acessadas em 26/10/2026. As páginas do TSE retornaram erro de acesso e não foram lidas diretamente. Não fizemos cálculos novos; os números são os das fontes citadas.

Fontes