Amazônia

Governo aprova plano para conter desmatamento até 2030

Mapa do Caminho reúne quatro frentes; a Amazônia teve queda de 71,2% no desmatamento entre 2022 e 2026, segundo o Prodes.

Imagem de satélite mostra clareiras geométricas, focos de fumaça e floresta em Rondônia
Desmatamento e queimadas a leste de Porto Velho, em Rondônia, registrados por satélite em 5 de agosto de 2016.Imagem: Planet Labs / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O governo federal aprovou nesta sexta-feira (6) o Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A decisão ocorreu na 6ª reunião ordinária do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), em Brasília.

O documento organiza quatro frentes: conservação e uso sustentável, restauração florestal, combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios e redução da supressão legal de vegetação. A última frente prevê instrumentos econômicos, mas a nota oficial não detalha quais serão adotados.

O plano retoma políticas já existentes

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o objetivo é acelerar metas e planos vigentes. A estratégia prevê ampliar financiamento, assistência técnica, capacidade institucional, governança, acesso a mercados, inovação e tecnologia.

O Mapa do Caminho usa como base os planos de prevenção e controle do desmatamento dos biomas. O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e o plano equivalente para o Cerrado foram retomados em 2023.

O governo apresenta reduções em todos os biomas, mas os períodos não são iguais. Amazônia e Cerrado têm taxas comparadas entre 2022 e 2026. Os demais dados comparam agosto de 2024 a julho de 2025 com os 12 meses anteriores.

Amazônia lidera a redução proporcional informada pelo governo Queda da taxa de desmatamento; períodos variam entre os grupos de biomas

Bioma Redução Período comparado
Amazônia 71,2% 2022 a 2026
Pantanal 65,4% Ago/2024–jul/2025 contra 12 meses anteriores
Cerrado 48,4% 2022 a 2026
Pampa 41,7% Ago/2024–jul/2025 contra 12 meses anteriores
Caatinga 34,3% Ago/2024–jul/2025 contra 12 meses anteriores
Mata Atlântica 15,3% Ago/2024–jul/2025 contra 12 meses anteriores

Fonte: MMA, com dados do Prodes/Inpe. Os períodos não permitem ordenar todos os biomas por uma mesma régua temporal.

Entre Amazônia e Cerrado, cuja comparação usa o mesmo intervalo, a diferença é de 22,8 pontos percentuais. Isso não significa que a Amazônia perdeu mais ou menos floresta em área. A tabela mostra variações relativas, não hectares desmatados.

Execução terá acompanhamento centralizado

O CIM também aprovou o primeiro Relatório de Monitoramento do Plano Clima 2024–2035. Os dados alimentam o IndicaClima, sistema lançado nesta sexta para reunir informações sobre a execução das políticas climáticas de todos os setores.

A plataforma pode tornar visível a distância entre anúncio e implementação. A nota do MMA, porém, não apresenta orçamento do Mapa do Caminho, metas anuais por bioma nem prazos para cada medida. Esses pontos seguem abertos para a execução.

Os resultados serão levados à 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31). A proposta brasileira responde ao compromisso coletivo firmado no primeiro balanço global do Acordo de Paris.

O que diz o MMA: o ministério afirma que o documento busca acelerar políticas já estabelecidas e articulá-las para cumprir a meta de 2030. A posição consta da nota publicada após a reunião do CIM em 06/11/2026.

O próximo teste é a implementação

A queda recente do desmatamento oferece uma base de comparação para o novo plano. Ela não garante, por si só, que a meta de 2030 será alcançada. O acompanhamento precisará separar resultados anuais, áreas degradadas e supressão autorizada.

O IndicaClima será uma referência para verificar o andamento das ações. Também será necessário observar os instrumentos econômicos e os recursos efetivamente destinados a cada bioma.

Como fizemos: Conferimos a nota do MMA publicada em 06/11/2026 e os períodos atribuídos a cada dado do Prodes/Inpe. Subtraímos 48,4% de 71,2% para calcular a diferença de 22,8 pontos percentuais entre Amazônia e Cerrado. Não somamos reduções nem comparamos áreas, que não foram informadas. Os dados dos quatro últimos biomas usam outro período e estão identificados separadamente.

Fontes