Amazônia

No Norte, desemprego e informalidade ficam acima da média do país

Dados do IBGE mostram desemprego de 7,0% e informalidade de 50,9% no Norte no 1º trimestre de 2026, contra 6,1% e 37,3% no Brasil.

Ilustração abstrata em verde-escuro e dourado, sem elementos figurativos, usada como imagem provisória
Imagem provisória: ilustração abstrata nas cores do jornal, até que uma foto licenciada seja publicada.Ilustração: Imagem provisória

O pregão desta segunda-feira (26) não aparece nos dados de emprego e renda. Esses números registram o que aconteceu meses antes. Os mais recentes mostram um Norte com desemprego, renda e informalidade piores que a média do país.

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação do Norte chegou a 7,0%. No Brasil, foi de 6,1%. Desocupação é a parcela de quem está sem trabalho e procura vaga.

O IBGE mede o desemprego na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), feita com entrevistas em casas. A região Norte do IBGE reúne sete estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, conta as vagas com carteira assinada.

Renda e emprego ficam atrás no Norte

Norte e Brasil no 1º trimestre de 2026 Taxas em %, e renda em R$ por mês, de janeiro a março de 2026

Indicador Norte Brasil
Taxa de desocupação 7,0% 6,1%
Informalidade 50,9% 37,3%
Renda média real R$ 2.849 R$ 3.722

Fonte: IBGE, PNAD Contínua, segundo O Liberal (14/05/2026). Elaboração: redação.

A renda média real do trabalhador do Norte foi de R$ 2.849. Esse valor é 23,5% menor que os R$ 3.722 do país, cálculo da redação. A informalidade, ou seja, trabalho sem carteira ou registro formal, atinge 50,9% da região.

No segundo trimestre, o desemprego nacional caiu para 5,4%. No Pará, maior estado da região, foi a 6,2%, mas a queda não é estatisticamente significativa, segundo O Liberal. Em 2025, a renda domiciliar média por pessoa foi de R$ 2.264 no país. Segundo a Agência Brasil, “os menores rendimentos são do Nordeste (R$ 1.470) e Norte (R$ 1.558)”.

Vagas formais concentradas no Pará

Entre janeiro e maio de 2026, o Norte teve saldo de 35.737 vagas formais. O saldo é a diferença entre contratações e demissões. A região respondeu por 4,7% das vagas do país no período, mesmo tendo cerca de 8,5% da população.

Saldo de vagas formais, janeiro a maio de 2026 Número de vagas com carteira criadas, menos as encerradas

Local Saldo de vagas
Brasil 767.326
Norte 35.737
Pará 12.813

Fonte: Novo Caged, segundo observatório do Dieese com o governo do Pará, em O Liberal (30/06/2026). Elaboração: redação.

O Pará respondeu por mais de um terço dessas vagas. Em 12 meses até maio, o Norte somou 69.158 vagas, 7,1% das 973.285 do país. Os dados vêm de um observatório estadual, não de divulgação direta do ministério.

O dado mais desfavorável é a informalidade. No segundo trimestre, o Pará registrou 55,9%, o segundo maior índice do país, atrás só do Maranhão (56,9%). O jornal O Liberal resumiu: “a informalidade permanece como um dos principais desafios do mercado de trabalho paraense”.

Crescimento regional mais lento

O PIB, soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 frente ao primeiro, segundo o IBGE. A divulgação trimestral é nacional. O último dado por estado é de 2023. Nele, o Pará cresceu 1,4%, contra 3,2% do Brasil.

O que diz o Ministério do Trabalho e Emprego: Na divulgação do Caged de agosto, em 29 de setembro de 2026, a pasta informou saldo de 165.827 vagas no mês e de 1.134.033 no ano. A redação não contatou o ministério antes da publicação; a fonte é a nota oficial.

O que isso significa

Os dados mostram um Norte atrás do país em desemprego, renda e formalidade. O Pará concentra boa parte das vagas da região, mas também tem uma das informalidades mais altas. Os números não explicam as causas, nem mostram se a melhora nacional chegou à região.

Os limites são claros. Os dados são defasados, e as fontes consultadas não trazem a taxa de desemprego do Norte para o segundo trimestre. O Caged de setembro também não estava disponível. O pregão de hoje ainda não aparece em nenhum desses números.

Como fizemos: Usamos a PNAD Contínua do IBGE para o 1º e o 2º trimestre de 2026, pelas reportagens de O Liberal, porque as páginas do IBGE não abriram nesta apuração. Usamos o Caged de janeiro a maio pelo observatório do Dieese e o de agosto pela divulgação do ministério. O PIB por estado é de 2023, o mais recente encontrado. Acessos em 26/10/2026. Cálculos da redação: diferença de renda (23,5%), participação do Norte no saldo (4,7% em cinco meses e 7,1% em 12 meses) e população (cerca de 8,5%, com mais de 17 milhões de habitantes sobre 203 milhões, Censo 2022). Os dados não mostram o Norte no 2º trimestre de 2026, o Caged de setembro nem o efeito do pregão de 26/10.

Fontes