Amazônia

PF investiga venda de madeira da Terra Enawene Nawe

Operação Hybris cumpre uma busca em Nova Olímpia e apura extração, comercialização e vantagem econômica; volume não foi divulgado.

Grupo de indígenas Enawene Nawe com cocares e adornos participa do ritual Salumã
Enawene Nawe celebram o ritual Salumã nos Jogos dos Povos Indígenas de Palmas, em 2003; a foto não retrata a operação.Foto: Rita Salgado / Projeto Nuclam-UCB / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira (6) um mandado de busca e apreensão em Nova Olímpia, Mato Grosso. A Operação Hybris investiga a suspeita de extração e comercialização ilegal de recursos florestais da Terra Indígena Enawene Nawe.

O endereço é vinculado a um investigado, cuja identidade não foi divulgada. A ação busca documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e mídias digitais. A nota oficial não informa prisões, volume de madeira ou valor movimentado.

A apuração vai além da retirada da madeira

As investigações começaram após informações sobre possível retirada irregular de madeira do território. Depois, a PF reuniu elementos que apontam para negociação e venda do produto sem autorização dos órgãos competentes.

Foram identificados registros audiovisuais nos quais o investigado negocia madeira por chamadas de vídeo. Esse material será aprofundado. A diligência, portanto, examina tanto a origem do recurso quanto sua circulação comercial.

A investigação separa três elos da atividade suspeita Elementos relatados pela PF e informações ainda não públicas

Elo investigado Elemento citado Dado não divulgado
Extração Informações sobre retirada irregular Área atingida e volume
Comercialização Negociações por chamadas de vídeo Compradores e quantidade vendida
Vantagem econômica Registros financeiros buscados Valores e beneficiários

Fonte: Polícia Federal, 06/11/2026. Organização e comparação das lacunas pela redação.

A tabela mostra por que o mandado não encerra a apuração. A PF ainda precisa estabelecer a extensão dos fatos, identificar os envolvidos e apurar eventual obtenção de vantagem econômica.

A busca ocorreu fora da terra indígena

Nova Olímpia é o local do endereço vinculado ao investigado. A origem suspeita da madeira é a Terra Indígena Enawene Nawe. São informações distintas, e a nota não descreve uma diligência dentro do território indígena.

Segundo o Instituto Socioambiental, os Enawenê-nawê vivem em uma única grande aldeia próxima ao rio Iquê, afluente do Juruena, no noroeste de Mato Grosso. A localização ajuda a situar a comunidade atingida pela suspeita relatada pela PF.

A corporação classifica a área como especialmente protegida e integrante do patrimônio da União. Também afirma que a atividade investigada pode ter causado prejuízos ambientais relevantes e atingido direitos das comunidades indígenas.

Essa avaliação ainda não vem acompanhada de estimativa pública de hectares, árvores ou espécies retiradas. Sem esses dados, não é possível medir o dano nem comparar o caso com outras operações madeireiras.

Investigação não é denúncia

O mandado foi expedido pela Justiça Federal para reunir novos elementos probatórios. O material recolhido poderá subsidiar a continuidade do trabalho policial, mas não comprova por si só a participação de cada suspeito.

A nota não informa indiciamento, denúncia do Ministério Público ou condenação. O investigado preserva os direitos correspondentes à etapa atual do caso.

O que diz a Polícia Federal: a corporação afirma ter reunido elementos sobre negociação e comercialização de produto florestal sem autorização. Informa que busca esclarecer a extensão dos fatos, identificar os envolvidos e apurar eventual vantagem econômica, em nota de 06/11/2026.

O que falta esclarecer

A análise dos documentos, registros financeiros e conteúdos eletrônicos será decisiva para ligar a origem da madeira às negociações. As chamadas de vídeo também precisam ser examinadas no contexto da investigação.

Os próximos esclarecimentos devem indicar se havia compradores, quanto foi extraído e quem obteve ganhos. Até lá, o caso permanece como investigação de uma possível cadeia ilegal de madeira em área protegida.

Como fizemos: Conferimos a nota da PF publicada às 10h30 de 06/11/2026 e a localização da comunidade no Instituto Socioambiental. Separamos extração, comercialização e vantagem econômica para mostrar os elos investigados e suas lacunas. Não estimamos área, volume, valores, compradores ou etapa processual não divulgados.

Fontes