Amazônia

Ibama diz que guerra política nas redes pode incentivar incêndios

Jair Schmitt associa a 'guerra política' nas redes a incêndios no Amazonas, onde o Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas.

Helicóptero do Ibama sobrevoa campo com fogo e fumaça, com árvores da floresta ao fundo, no Amazonas
Helicóptero do Ibama sobrevoa área com fogo e fumaça durante operação de combate a incêndios no Amazonas, em agosto de 2019.Foto: Vinícius Mendonça / Ibama / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Em 20 de outubro de 2026, o presidente do Ibama, Jair Schmitt, afirmou que a “guerra política nas redes sociais” pode estar incentivando incêndios criminosos na Amazônia. A declaração foi publicada pela Gazeta da Amazônia e pelo 18 Horas.

O que o órgão afirma sobre o motivo é uma hipótese. O que os dados oficiais já mostram é mais limitado: quase todos os focos identificados têm origem humana, segundo o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O Amazonas enfrenta uma crise de queimadas desde o início de outubro. A Agência Brasil informou, em 12 de outubro, que o Ibama enviou seis aeronaves e 290 brigadistas ao estado. Desde 9 de setembro, o uso do fogo para manejo do solo está proibido no Amazonas, segundo a ClimaInfo.

O que disse o presidente do Ibama

Em entrevista à Folha, citada pela ClimaInfo, Schmitt disse que acusações nas redes sobre quem deve combater o fogo inflamam os ânimos. Segundo ele, algumas pessoas se aproveitam desse clima para aumentar o caos.

Schmitt também afirmou que o governo federal é o que mais investiu no combate aos incêndios. Ele classificou como irresponsáveis declarações desse tipo, vindas de cidadãos ou de autoridades. Sobre o motivo dos incêndios, disse que a hipótese de aproveitamento do momento político precisa ser esclarecida.

Os números divulgados

Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas e embargou 250 hectares no Amazonas Números divulgados entre 20 e 21 de outubro de 2026

Item Quantidade
Multas aplicadas R$ 2 milhões
Autos de infração 19
Área embargada 250 hectares
Procedimentos criminais abertos, segundo as reportagens mais de 120

Fonte: ClimaInfo, 18 Horas e Agenda do Poder. Elaboração: redação.

Os autos de infração, que são notificações de irregularidade, e os embargos foram aplicados em Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana de Manaus, segundo a ClimaInfo. Uma reportagem da Agenda do Poder fala em 19 pessoas autuadas, e não em 19 autos. Em 19 de outubro, a Polícia Civil prendeu em flagrante um homem de 53 anos em Careiro da Várzea, suspeito de provocar incêndio em floresta. A investigação segue.

Os focos de calor são detecções de queimadas feitas por satélite. Segundo a 18 Horas, com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas teve 8.177 focos de 1º de janeiro a 18 de outubro de 2026. Esse total é 111% maior que no mesmo período de 2025, mas 49% abaixo da média histórica.

O que segue em aberto

A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acompanham as suspeitas, segundo a Agenda do Poder. A 18 Horas diz que a PF, a Abin, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil do Amazonas participam das apurações.

As autoridades verificam se houve ação coordenada. Segundo a 18 Horas, elas comparam o padrão ao “Dia do Fogo”, episódio de queimadas de 2019 no Pará. A relação entre o discurso nas redes e os focos depende do resultado das investigações.

O que diz o Ibama: Segundo a entrevista de Jair Schmitt à Folha, citada pela ClimaInfo, a disputa nas redes sobre quem combate o fogo estimula queimadas por motivação ideológica. Para ele, os incêndios são criminosos e feitos sem autorização de nenhum órgão.

O que isso significa

Os números oficiais apontam para queimadas com origem humana e uma fiscalização em curso. A ligação com a “guerra política” nas redes, porém, é uma hipótese do presidente do Ibama.

Ficam em aberto três pontos: se houve ação coordenada, quem provocou o fogo e se o momento eleitoral teve algum papel. Até que as investigações concluam, essa ligação segue sem prova pública.

Como fizemos: A análise reúne reportagens da Gazeta da Amazônia, do 18 Horas, da ClimaInfo, da Agenda do Poder e de O Liberal, com conteúdo da Agência Brasil. Multas, autos, hectares e procedimentos são apresentados com atribuição. Os dados de focos são do Inpe, citado pelo 18 Horas. Como as fontes distinguem autos de infração e pessoas autuadas, as duas formulações não são tratadas como equivalentes.

Fontes