Lula reeleito herda decisões abertas sobre BR-319 e Foz do Amazonas
Com 51,79% dos votos válidos, Lula foi reeleito. BR-319, poços na Foz do Amazonas, ouro e minerais críticos seguem com decisões em aberto.

No domingo (25), Lula foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,21%, segundo a CNN Brasil. A eleição acabou, mas várias decisões sobre a Amazônia seguem sem desfecho.
Este texto mostra o que já foi decidido em cada frente e o que ainda depende de outros passos. Nas fontes consultadas, nenhuma tem prazo final.
BR-319: pontes autorizadas, asfalto travado
A BR-319 liga Manaus a Porto Velho, em Rondônia. O trecho do meio, entre Humaitá e Manaus, está no centro da disputa.
No fim de abril, a 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas suspendeu, em liminar, o edital para pavimentar o trecho. Liminar é uma decisão provisória, tomada antes do julgamento do mérito. A ação é do Observatório do Clima.
Em maio, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) a licença de instalação para três pontes de concreto. As pontes ficam sobre os igarapés Santo Antônio, Realidade e Fortaleza. A licença vale três anos, mas a reportagem não diz se ela cobre o asfalto.
A ação questiona o enquadramento da obra como “singelas melhorias e manutenções”. Segundo a entidade, esse enquadramento afasta indevidamente o licenciamento ambiental. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) reagiu: “Eu estou estupefato pela decisão.”
O que diz o governo federal: segundo a Agência iNFRA, o governo seguiu com a intervenção com base em artigo da nova lei do licenciamento ambiental, que dispensa licença para obras de manutenção e melhoria de rodovias já pavimentadas. A reportagem não traz citação direta de ministério ou do DNIT sobre a pavimentação.
Foz do Amazonas: poço novo, licença em disputa
Em agosto, a Petrobras confirmou petróleo leve no poço Morpho, no bloco FZA-M-59. O poço fica a cerca de 175 quilômetros do litoral do Amapá, a 2,9 mil metros de profundidade, segundo a Cenário Energia.
Em 4 de setembro, o Ibama retificou a Licença de Operação nº 1684. A mudança incluiu três poços contingentes: Manga, Crotalus e Morpho Extensão. O Ministério Público Federal (MPF) questionou a retificação. Segundo o órgão, a licença autorizava apenas o poço Morpho.
Em nota, a Petrobras disse que “a companhia iniciará o planejamento das ações para a continuidade das atividades exploratórias no bloco”. A Cenário Energia relata que esses poços dependem da “emissão de novas licenças ambientais”. Não localizamos decisão posterior sobre o questionamento do MPF.
Minerais e ouro: lei sancionada, sentença sem execução
Em 16 de setembro, Lula sancionou a Lei 15.506/2026. Ela institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que trata de minerais usados em baterias, ímãs e eletrônicos. Segundo a Agência Câmara, a lei reserva R$ 5 bilhões para processar esses minerais no país.
A lei criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce), ligado à Presidência. Segundo a Cenário Energia, a primeira reunião estava prevista “para ocorrer em até dez dias”. Não localizamos registro de que ela tenha acontecido.
No ouro, a Justiça Federal proferiu sentença em ação do MPF. Ela manda a União, a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Banco Central controlar a origem e a circulação do ouro. A ANM deve rever permissões de garimpo e títulos na região de Itaituba, Jacareacanga e Novo Progresso, no Pará. Um estudo do MPF com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta R$ 9,1 bilhões em ouro irregular vendido ali em 2019 e 2020. A notícia não diz se houve recurso.
O que segue aberto
No fogo, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 1.639 focos de calor no Amazonas entre 1º e 15 de outubro. Segundo o órgão, 79,1% estavam em propriedades rurais cadastradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Nas fontes consultadas, não há licença de instalação para o asfalto da BR-319 nem decisão final sobre a liminar. Os poços contingentes da Foz do Amazonas dependem de licenças do Ibama, e o questionamento do MPF segue sem decisão conhecida. A primeira pauta do conselho deve incluir o regimento interno e a lista oficial de minerais. A rastreabilidade do ouro depende dos relatórios semestrais à Justiça.
O que vem a seguir depende de atos que ainda não aconteceram.
Como fizemos: Usamos reportagens e documentos publicados entre 21 de julho e 26 de outubro de 2026, acessados em 27 de outubro de 2026. Os votos vêm da CNN Brasil, e a contagem final aparece também no ao vivo da InfoMoney, que cita o TSE. Não fizemos cálculos próprios. Não localizamos documentos oficiais de outubro sobre as frentes tratadas, e o quadro pode ter mudado.
Fontes
- Lula é reeleito presidente da República no 2º turno — CNN Brasil, 25/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Eleições 2026: Lula é eleito presidente do Brasil; veja o resultado nos estados — InfoMoney, ao vivo (acesso em 27/10/2026)
- Agência iNFRA: suspensão de editais de pavimentação da BR-319, 28/04/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Agência iNFRA: Ibama libera obras de pontes no Trecho do Meio da BR-319, 11/05/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Cenário Energia: Petrobras confirma óleo leve no poço Morpho, 18/08/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Diário de Pernambuco: Ibama emitiu licença para mais três poços na Foz do Amazonas, 04/09/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Agência Câmara: Nova lei cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, 16/09/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Cenário Energia: Governo cria conselho interministerial para minerais críticos, 17/09/2026 (acesso em 27/10/2026)
- MPF no Pará: Justiça Federal determina medidas para controlar a origem do ouro, 21/07/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Correio da Manhã: Amazonas concentra focos de incêndio em áreas privadas, 23/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Foto: Amazonas BR-319 — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 27/10/2026)



